quarta-feira, 19 de abril de 2017

COLÉGIO com história



Este edifício onde funcionou, durante largos anos, o Colégio Dr. Correia Mateus (gaveto da Av.ª dos Combatentes da Grande Guerra com a Rua de Alcobaça), está classificado como IIP; na respectiva página da DGPC faz-se a Nota Histórico-Artistica de que transcrevo a seguinte parte "...O imóvel foi adquirido pelo arquitecto leiriense Ernesto Korrodi, no início do século XX, que pretendia aí instalar a Escola Industrial Domingos Sequeira. Todavia, esta primeira adaptação não deverá ter introduzido alterações de grande significado, dado que, em 1910, o edifício foi vendido ao Dr. Correia Mateus, um advogado nascido em Condeixa que se licenciou em Direito na Universidade de Coimbra, tendo-se estabelecido em Leiria a partir de 1892, onde ocupou diversos cargos políticos e administrativos que o celebrizaram. Viveu nesta casa durante bastantes anos, tendo aí instalado também o seu escritório de advocacia. Depois da sua morte, ocorrida em 1928, uma afilhada, de nome Beatriz Machado, fundou o colégio Dr. Correia Mateus, que funcionou na antiga residência do advogado, então totalmente adaptada e remodelada de forma a receber os seus novos habitantes. ..." (daqui)
Esta é, apenas, parte da história que este edifício alberga. A outra parte , que ali não consta, nem viria ao caso, é que a dita Beatriz Machado, directora do Colégio, de quem alguns leirienses, como eu, ainda bem se lembrarão, era, como sabíamos, para além de afilhada de João Correia Mateus, nem mais nem menos do que uma das filhas "naturais" de Bernardino Machado, Presidente, por 2 vezes, da República Portuguesa. 

" Beatriz de Jesus Franco teve duas filhas "naturais" de Bernardino Machado. Em 1881 nasceu, em Coimbra, a filha Manuela, perfilhada por Bernardino Machado depois do seu casamento com Elzira Dantas (1882), tendo passado a viver com a família Machado. Em 1902 nasceu a segunda filha, em casa de Correia Mateus e de sua irmã Ermelinda, os quais serão os seus padrinhos de baptismo e tutores; fica com o nome de Beatriz Franco Machado, mas só será perfilhada por Bernardino Machado, em 1942, depois do regresso do segundo exílio." (daqui)

I.P.07




terça-feira, 28 de março de 2017

ARMANDO DA SILVA CARVALHO

D.L.

"O Prémio Literário Casino da Póvoa de 2017 foi atribuído esta quarta-feira ao livro de poemas A Sombra do Mar (Assírio & Alvim, 2015), de Armando Silva Carvalho, “pela força imagética da sua escrita e pela tensão conseguida entre ironia e melancolia”. ..." (LER+)

Do Técnicas de Engate (&etc, 1979), aqui fica a lembrança do FADO MAIOR (também podia ser o OFELIANO, sim...)

Choram os fados. Leais, trabalhadores.
Se os fados doem, o suor acende-os.
Em cada verso meu, a ti, fado,
quem te construiu?
Sou eu a substância viva do meu choro
ou esta Pátria vil que calca a chumbo
a areia das marés?
Nas costas das fadistas um clarão produziu-se:
era um povo a beijar um rosto feito pedra
dum poeta descalço no chão seco dos rios.
Aqui o mar se inverte. A terra sabe a peixes
nas leivas feitas ondas e a história é na planície
uma frota parada de moinhos sem vento.

Parabéns e aquele abraço amigo